Foi há uns meses que resolvi arranjar um espaço e ter uma galinhas cá no quintal. Junto com as galinhas acabei por trazer umas codernizes.
A função principal é obter ovos, e o esterco para fertilizar depois o solo, e se a coisa complica, a carne também.
Para isso, uso uma boa cama de palha (de cereais como trigo, centeio, etc...), mas que os fardos acabam por sair caros, e ainda assim, compro-os directamente ao chefe que os vai enfardar nos campos (4,5€ a 5€).
Por acaso de momento estou a usar feno, pois através do mesmo senhor, acabei por obtê-los a 1.5€, pois ele apenas os enfardou com a máquina, mas deixou-os lá no campo, tendo que os ir buscar.
O problema do feno, é a quantidade de sementes (sei lá do quê), que vêm nos fardos, e só como uma compostagem a quente, seria uma boa maneira de as controlar.
Mas estou expectante no resultado, pois as galinhas, esgravatam o feno, e possivelmente consomem muitas das sementes, talvez controlando-as um pouco, e outras possivelmente saem em modo directo, envoltas no seu esterco, e ainda ganham mais embalo.
Resumindo, preferencialmente palha, mas por questões económicas, vai de feno.
E a experiência tem tido aspectos positivos, pela aprendizagem, que apesar de ser um domínio de conhecimento já com milhares de anos, é novo para mim, pois já tivemos 9 pintainhos da coquicha, por termos ovos com fartura, tanto de galinha como de coderniz, e a mistura da palha / fenos com o esterco de galinha, dará bons resultado daqui a uns meses.
O aspecto menos bom, que para mim se tornou no paradoxo da galinha caseira, é mesmo a sua alimentação.
Ora isto tem-me moído bastante a cabeça, e seria um luxo que em vez da cabeça, pudesse eu moer cereal.
Já há muito que ouvia o: estes ovos são caseiros, é bom para uma canja pois é caseira, a pele é boa pois é caseira, etc... Bom, se caseiro siginifica estar perto de casa, então sim, são galinhas caseiras, mas no que toca à alimentação, na minha perspectiva, não são e estão longe de o ser.
Inicialmente ainda comprei uma saca de migalha e ração biológica na Agriloja, e para quem tem esta possibilidade de comprar, é bom que o faça, pois apoia quem a produz.
Mas não aqui o caso. Não temos essa capacidade. Azar...ou talvez não.
Corri as etiquetas de todas as sacas e preparados específicos para cada
fase do crescimento dos galináceos, algo me apercebi que funciona em
modo bíblico, dos versículos 104 ao 120 e que de
outra maneira não resulta, mas há pergunta : Então mas não há nada que
não tenha transgénicos ? , a resposta foi não !
Caseiro à base de transgénico, se não é paradoxal, vou ali e já venho.
Tive de engolir mais um sapo, coisa a que me fui habituando ao longo da vida, e começar a comprar a ração normal, aquela que maior parte compra.
Ao fazer isto, é a mesma coisa que estar a apertar a mão ao produtor, e a dizer-lhe: Muito obrigado, gosto imenso do seu produto e por favor continue a produzi-lo.
E isto está a milhas do que quero fazer, aliás, é mesmo o oposto.
Tentei então, dar-lhes mais trigo (que obviamente não é orgânico, mas sei lá, parece-me que do mal o menos, ou venha o diabo e escolha, enfim, por ai ), pão que se compra nas padarias do dia anterior, todos os restos das verduras (tirei o repasto às minhocas) e a ração.
Para atenuar a minha sentença, convém dizer, que tenho as galinhas vai para uns 4 meses, não tenho no quintal suficiente para elas, nem de perto, nem de longe, e em Adoa, de Verão é o tempo da Srª da Mirra, verdura nada, uns cardos corredores, e outros (que se bem me lembro do nome cientifico), são coisas que picam.
Bom, mas demanda começou, em busca da galinha caseira !
Arranjar milho / cereal organico por esta zona é mentira, para não dizer, uma anedota ! Até tenho tido dificuldade em passar este paradoxo da galinha caseira, pois sim, o conceito é percebido, mas depois vem aquele marasmo, do que se pode fazer.
A solução por acaso é simples, a nível social isto é, ou seria, mas já não tenho expectativas de uma mudança local (quanto mais mundial), mas é um desafio, ou caminho, que quero ver se consigo seguir, também ele simples e que passa por dois pontos tão comuns quanto irrisórios: produzir e comprar. Ora toma ! A diferença está no como produzir e o que comprar.
A começar no produzir : esperar pelas chuvas.
Quando caírem, mesmo sem semear nada, há muita "erva" que pode servir de alimento, e esse é o bom alimento. Alimento que é vivo...ainda que isto soe mórbido.
Semear bastantes couves portuguesas (um clássico), hortos, e umas couves da sertã que tenho para aqui, tanto para as galinhas como para nós.
Vou tentar semear trigo, que além de alimento, acaba por ser excelente em vários aspectos pois abafa ervas e serve se estrutura para os solo.
Mais à frente, milho e abóbora.
Mas não vou conseguir produzir, para suprir todo o alimento que necessito.
Daí, é necessario procurar local. E já encontrei, pelo menos para o milho.
Apesar de a produção ser hibrida, e levada acabo na chamada agricultura convencional (outro paradoxo), tem os aspectos positivo de ser local e não transgénica.
Já falei com dois agricultores aqui da zona, e o caminho passa exctamente por ai, comprar-lhes directamente. Um deles já me arranjou uns 7 quilos , ao outro vou comprar 10 quilos.
Eles ganham no preço que vendem, e eu também.
E talvez desta relação (que obviamente é frágil, pois não sou eu que os vou manter em actividade pelo que lhes compro), possa lhes pedir, para cultivarem um pouco de semente tradicional, no fundo reservando um espaço do seu terreno, para o que quero.
E quem sabe mais á frente, produzir um pouco em modo orgânico (mas isto já é mais complicado, por vários motivos).
Esticando este conceito a uma localidade, teríamos agricultores a produzirem a um bom preço para suprir as necessidade da própria região.
Bom, vamos ver como corre a demanda de tornar as minhas galinhas caseiras e acabar com o paradoxo.
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