E o movimento começa nessa base, o retorno à terra de uma forma sustentável e ocupar espaços ao abandono.
Este movimento caminha em paralelo com outros movimentos que cresciam, como o Transition Towns e a Permacultura, cá em Portugal muito viva na plataforma ning TPP, Transição e Permacultura Portugal
Também havia uma perspectiva de aproveitar pequenos espaços para cultivar alimentos, a agricultura urbana, hortas comunitárias, usar o modelo de contractos de comodatos, para combater o abandono do nosso território rural.
Isto foi um pouco antes do País entrar em queda livre, e o próprio governo começar a falar em bolsas de terra.
Havia já muitos movimentos que apontavam nesse caminho.
O movimento Terra Solta cresceu e está muito presente, ( pois é ai que está a concentração de malta que fundou o Terra Solta ), numa vertente urbana, mais propriamente no Porto e Campanhã, onde se iniciaram vários projectos de hortas urbanas, tanto por nós como em parcerias com outras associações.
De repente, quando o País já estava no fundo. os media acordaram para o problema, e estes projectos acabaram por ser relatados, assim como surgiram documentários dos Novos Rurais, da Permacultura, do movimento de Transição.
Isto foi óptimo, e a ideia inicial de ocupar terrenos, saiu do horizonte, pois , não foram poucos os proprietários, que nos contactaram, para disponibilizar terrenos.
Foi bonito !
Eu por aqui, achei que devia ia tentar encontrar um sitio onde pudesse também eu fazer o retorno à terra.
Um dia deu-me na cabeça e comecei à procura, pensando eu, que seria difícil encontrar um terreno com uma renda barata, ou mesmo encetar um contracto de comodato, isto porque convém dizer, eu mesmo vim da Damaia para aqui, foi lá que cresci e tive educação durante 21 anos e carrego tiques citadinos.
Mas ao final da manha, tinha 700m2 disponíveis para cultivar sem renda.
Ao falar com um amigo meu, o Pedro, ele lembrou-se que a família também tinha um terreno. Fui vê-lo e não querendo estar a mentir, mas acho que ao final desse ou do dia seguinte, tinha 4000m2 para cultivar, sem renda.
Mais tarde, quando se iniciou um grupo de transição de Torres Vedras, da malta que apareceu, havia perto de 9 ha livres para cultivar.
Aqui é diferente da experiência no Porto. Há terrenos, mas pouca pessoas relativamente próximas para abraçarem um projecto, o que é uma pena, mas temos de ver, que maior parte da malta jovem, saiu daqui, ou para Lisboa, ou para fora.
Mas isso é outro tema.
Adoa, é então um local onde posso cultivar, até ver claro, mas posso por em marcha algumas praticas de permacultura / agricultura sustentável, pois a família a quem pertence Adoa está aberta às ideias de práticas sustentáveis.
Ainda que relutantes em colocar árvores inicialmente, agora já colocaram eles mesmos árvores de fruto, e isto para dizer, que a questão das árvores, é realmente um problema, pois existe, penso eu, um numero de terrenos que pertencem a pessoas já idosas, que se por um lado, gostam que os seus terrenos não estejam ao abandono, por outro, a instalação de árvores, já é algo mais permanente, ou pelo menos soa a isso, e eles já não estão em idade para se chatear.
Mais tarde os terrenos serão dos filhos, que muitos estão para fora, e que possivelmente, (caso a crise que é esperada, não se abata nos proximos anos), os irão vender, em processos simples, ou a historia das partilhas, etc...
Aqui neste caso, tive sorte, pois talvez por influencia do Pedro, as árvores tornaram-se importantes no sistema.
E são-no sem duvida, pelas mais variadas razões. Só acrescem valor á propriedade, ao solo, á diversidade, e ao meio-ambiente.
Mas caso não se possa colocá-las, ainda assim, se pode avançar com praticas que podem melhorar os solos, e retirar alimentos saudáveis.
E se estas pequenas acções, forem repercutidas por muitos, seja em pequenos, médios ou grande espaços, fará certamente, nalgum tempo ou memoria, uma grande diferença.
Ainda que relutantes em colocar árvores inicialmente, agora já colocaram eles mesmos árvores de fruto, e isto para dizer, que a questão das árvores, é realmente um problema, pois existe, penso eu, um numero de terrenos que pertencem a pessoas já idosas, que se por um lado, gostam que os seus terrenos não estejam ao abandono, por outro, a instalação de árvores, já é algo mais permanente, ou pelo menos soa a isso, e eles já não estão em idade para se chatear.
Mais tarde os terrenos serão dos filhos, que muitos estão para fora, e que possivelmente, (caso a crise que é esperada, não se abata nos proximos anos), os irão vender, em processos simples, ou a historia das partilhas, etc...
Aqui neste caso, tive sorte, pois talvez por influencia do Pedro, as árvores tornaram-se importantes no sistema.
E são-no sem duvida, pelas mais variadas razões. Só acrescem valor á propriedade, ao solo, á diversidade, e ao meio-ambiente.
Mas caso não se possa colocá-las, ainda assim, se pode avançar com praticas que podem melhorar os solos, e retirar alimentos saudáveis.
E se estas pequenas acções, forem repercutidas por muitos, seja em pequenos, médios ou grande espaços, fará certamente, nalgum tempo ou memoria, uma grande diferença.
Bom, quando fui visitar pela primeira vez Adoa, caíram-me os tomates ao chão.
Tentei manter uma pose de controlo e segurança nas teorias que defendia, perante o Pai do Pedro, mas quando me apanhei sozinho, era o clássico burro a olhar para um palácio.
Tentei manter uma pose de controlo e segurança nas teorias que defendia, perante o Pai do Pedro, mas quando me apanhei sozinho, era o clássico burro a olhar para um palácio.
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| "O que é que eu faço com isto ?" |
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| "Começo em cima, em baixo, ou meio...? " |
Basicamente, sabia plantar umas alfaces em experiências de quintal, mas pouco mais...ah , e tive relva !
E depois, estava cheio de ideias ,teorias e praticas que tinha visto, que queria testar.
Foi um ano de aprendizagem, onde as teorias acabaram por ser mais prejudiciais do que úteis, e o que verdadeiramente aprendi foi a escutar Adoa, a escutar a terra, e a aprender tudo o possível com agricultores da zona, que por vezes via nos terrenos contíguos, sendo os ouço em tudo, menos na aplicação de químicos de síntese. O resto vale muito a pena aprender.
Lá semeamos nesse ano, umas batatas, alhos, favas, couves da sertã (dadas pelo meu sogro), beterrabas, mostarda, cebolas, milho, girassol, feijão, courgetes, melão, tomates.
Introduzi nesse ano, as primeiras três árvores, e adubação verde como ervilhaca e tremocilha.
Também algumas aromáticas como lavandulas, segurelha, coentros, salsa, e espécies de suporte, como os cravos túnicos e calêndulas.
Algumas deram certo, outras nem tanto.
Foi um ano de observação, de conhecer os estragos dos coelhos, das formigas, da passarada, mas também os seus aspectos positivos e a imaginar como estabelecer um equilíbrio com eles. Mas também os ventos, a chuvas e as águas a correrem pela inclinação do terreno, a exposição solar.
Essa aprendizagem é continua, há sempre algo de novo a acontecer.
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| Depósitos feitos com pneus abandonados à beira da estrada |
Adoa é um terreno de várzea, argiloso, pesado. Não é fácil trabalhar com uma enxada neste solo. Tem-se um período próprio para o fazer, uma janela temporal que quem a dita é o solo. Fora dela é um esforço inútil, onde por muito que se trabalhe, o solo não vai ficar fácil para se semear.
No entanto, Adoa é um Rolls Royce dos terrenos, mesmo por isso, pois a suas capacidade de armazenar humidade e nutrientes, dá depois uma resposta mais produtiva que um terreno arenoso e fácil de se trabalhar.
É a vida ! O que arde cura, o que sabe mal faz bem e por ai fora, aqui aplica-se a mesma formula, custa mas compensa.
Não fossem as características de Adoa, seria mais complicado a nível de fertilização.
Assim, no primeiro ano, fui aplicando algumas praticas como cobertura de solo, usei apenas um granulado orgânico passível de ser usado em agricultura biológica (comprado na Agriloja, mas nunca mais o vi, tal é a venda do produto), e fui fazendo umas camas, consoante o estado do terreno.
Um esquema muito complicado.
Este ano, foi um ano atípico, pois não choveu uma pinga em Abril, e se bem me recordo, choveu em Agosto.
Segundo Ano
Foi o ano da seca extrema. Portanto correu mal.
Safei as batatas e as favas aguentaram-se, ainda que as tivesse que regar.
Neste ano, usei um granulado de caprino, usado nas hortas de cascais, e cinza.
Continuei a adubação verde, instalaram-se mais umas árvores, e mais algumas espécies de suporte como luzerna, borragem e aveia.
Mas foi um ano mais estruturado, e com a ajuda do meu amigo Tiago Alegre, fez-se um swale (que não recebeu pinga de água nesse ano), tiraram-se cotas, curvas de nível, e estabeleceu-se zonas para camas e zonas para rotatividade de culturas mais à larga, como batata.
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| Cama Permanente |
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| Swale |
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| Swale, que o Srº Lourenço fartou-se de rir |
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| Central Nuclear de Vermicompostagem |
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| Ervilhaca, luzerna, borragem |
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| As favolas |
Ideia Geral
Em Adoa, ou seja onde for, o que pretendo é aprender com o terreno, e aplicar técnicas que acredito que fazem diferença a longo prazo, tornando os solos mais sustentáveis e produtivos com cada vez menor esforço.
Ser escravo da agricultura, ou ser agricultor no conceito que nos salta logo à cabeça, não faz parte dos meus planos.
Não tenho nos planos, recorrer a Proder, ou subsídios, empréstimos, etc.
Nem para Adoa, nem para lado nenhum. Conseguir dessa maneira, a mim, pessoalmente, soa-me a um não conseguir.
Se quiser explorar cada m2 do terreno para obter lucro, vou ter problemas mais tarde ou mais cedo, e no imediato, sou dependente de fertilização que provem de fora do terreno.
É como ter a propriedade ligada à máquina, se algo corre mal no sistema de financiamentos à agricultura, e a ficha desliga-se, é o caos. e aliás, basta ver o alvoroço já causado por um possível corte de 30%.
Mas para os que investem em projectos sustentáveis, os impactos vão ser mínimos, sendo que não serão alheios a eles, aliás, passarão a ser muito apetecíveis.
Depois, os campos, se tiverem biodiversidade, além de mais produtivos, são locais belos e agradáveis de se estar, e providenciam a muitas áreas de actividade e convívio brotarem da mal afamada agricultura, mas também mais valias para a região onde estão.
Mas no final, a questão passa por se se tira alimento ou não.
E mesmo aqui, existem outros processos paralelos, como o tipo de alimentação.
Adoa, tem varias espécies comestíveis, como os saramagos, labaças, cardos, livres de impostos, livres da necessidade de fertilizantes. Crescem por ai. Serviram de alimento a muita gente.
É um recurso, que está presente no terrenos, e pode suprir ou reforçar umas refeições.
Esta é uma transição que também quero conseguir fazer.
Mas sei, e já perdi muitas ilusões, que é um processo lento, e até desconfigurado, pois por exemplo, animais no terreno, ou proximo, é algo que não consigo ter pessoalmente, e já há poucos pela zona. O dito cavalo, a junta de bois, etc...
É preciso procurar outras alternativas que colmatem essa falha, e é isso que procuro.
Com mais investimento, ou com mais gente com as mesmas ideias em terrenos contíguos, seria mais fácil e rápido.
Mas por outro lado, também tem um gosto especial, ter que subir cada degrau, sendo que se a escada nunca mais acaba, então esquece.
Em Adoa, afinal de contas, quero aprender a humildade, e a agir correctamente para e com a natureza.
De outro modo, não me interessa.













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